segunda-feira, 3 de julho de 2017

Educação Moral - Episódio 6 - "Quem criou o Mundo?"

Apresentamos o 6º episódio da nova série "Minuto Youcat". Uma produção da Editora Paulus a que o Educris se associa. Um bom recurso para docentes de EMRC, alunos, catequistas e catequizandos bem como aos demais agentes de pastoral.

sábado, 1 de julho de 2017

Educação Moral - Episódio 5 - O que significa dizer que Jesus Cristo é ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem?


Apresentamos o 5º episódio da nova série "Minuto Youcat". Uma produção da Editora Paulus a que o Educris se associa. Um bom recurso para docentes de EMRC, alunos, catequistas e catequizandos bem como aos demais agentes de pastoral.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Educação Moral - Episódio 4: Cremos num Deus ou em três deuses?



Apresentamos o 4º episódio da nova série "Minuto Youcat". Uma produção da Editora Paulus a que o Educris se associa. Um bom recurso para docentes de EMRC, alunos, catequistas e catequizandos bem como aos demais agentes de pastoral.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Educação Moral - Episódio 3: O que significa Deus é amor?


Apresentamos o 3º episódio da nova série "Minuto Youcat". Uma produção da Editora Paulus a que o Educris se associa. Um bom recurso para docentes de EMRC, alunos, catequistas e catequizandos bem como aos demais agentes de pastoral.

domingo, 18 de junho de 2017

Educação Moral - Episódio 2: O que tem a minha fé a ver com a Igreja?

Disponibilizamos o 2º episódio da nova série "Minuto Youcat". Uma produção da Editora Paulus a que o Educris se associa. Um bom recurso para docentes de EMRC, alunos, catequistas e catequizandos bem como aos demais agentes de pastoral.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Educação Moral - Episódio 1: O que é a Fé?

Apresentamos o 1º episódio da nova série "Minuto Youcat". Uma produção da Editora Paulus a que o Educris se associa. Um bom recurso para docentes de EMRC, alunos, catequistas e catequizandos bem como aos demais agentes de pastoral.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Francisco Xavier da Silva Pereira


n.      14 de março de 1793.
f.       20 de maio de 1852.

Tenente-general do exército, par do reino, vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar, inspector-geral da arma de infantaria, governador-geral dos Estados da Índia, deputado da Nação ao congresso constituinte de 1837, etc.

Nasceu em Valença a 14 março de 1793, e faleceu em Lisboa a 20 de maio de 1852. Era filho de Francisco Xavier Silva Pereira, cavaleiro da Ordem militar de S. Bento de Avis, coronel de infantaria do exército e governador da praça de Campo Maior, e de sua mulher D. Antónia José de Abreu.

A vida militar do conde das Antas ocupou um lugar vastíssimo na história politica do século XIX. Na época do seu nascimento, seu pai era oficial subalterno do regimento de Valença, em cuja cidade permaneceu com sua família até 1807, em que veio como licenciado fixar-se no Porto com a patente de capitão. Dedicava-se atentamente a educar seu filho, quando a revolução do 1808 o veio novamente chamar ao serviço militar, sendo encarregado de organizar um batalhão que o moço estudante, abandonando os estudos vem alistar-se, a 20 de junho desse ano. Quando se constituiu a Leal Legião Lusitana, o capitão Silva Pereira foi escolhido para major do 1.º Batalhão, e seu filho recebeu o posto de alferes no mesmo corpo, a 14 de setembro ainda de 1808, com a qual tomou parte na campanha da Restauração. Passou depois a tenente agregado ao 1.º Batalhão da Legião Lusitana por decreto de 3 de novembro de 1809. Seguiu-se a grande luta travada entre o nosso exército, e as hostes de Napoleão, e pode dizer-se que não houve acção importante a que não assistisse. Albuera, Buçaco, Nive, Nivelle, Salamanca, Vitoria, tomando parte em todas elas, sendo ferido na de Salamanca, que se realizou a 22 de julho de 1812. Nestas batalhas houve-se tão distintamente, que foi promovida a capitão de Caçadores 7 pela portaria de 11 de novembro 1813, par distinção no campo de batalha, proposta feita pelo marechal Beresford, juntamente com um ofício dirigido ao comandante da brigada, louvando a sua conduta. E em Orthez e Tolosa deu novas provas de valor, e regressou à pátria na fim da campanha, foi-lhe conferida a medalha da Guerra Peninsular, com o algarismo 6, a 21 de janeiro de 1821, que era a maior distinção militar; fora igualmente condecorado pelo rei de Espanha, com as medalhas de Albuera e de Vitoria.

Em 1820, aderiu à revolução de 24 de agosto, servindo às ordens do coronel e depois general Sepúlveda; em 1823 militou no Exército Constitucional contra as forças rebeldes do general conde de Amarante, sendo afinal desligado do exército com a mudança de política. A 28 de abril de 1826, foi reintegrado e colocado no Batalhão de Caçadores n.º 7 com o posto de capitão graduado em major, donde saiu em dezembro para o 12, já em major efectivo que foi promovido par decreto de 28 do referido mês e ano; comandando este corpo fez a campanha contra as tropas rebeldes do marquês de Chaves em 1827. Proclamada no Porto, em 16 de maio de 1828, a reacção cartista contra a usurpação de D. Miguel, o major Xavier aderiu ao movimento cartista com o seu Batalhão n.º 12 com o qual desbaratou uma coluna de guerrilhas na ponte do Espinhel em 15 de junho do referido ano, merecendo os elogios da general Saraiva, depois barão de Ruivoz; e entrou nas acções da Cruz de Marouços e da margem do Vouga.

Tendo-se dissolvido a célebre junta que se encarregara de manter a autoridade de D. Pedro IV, e marchando o exército para a Galiza, o major Xavier era de opinião que se devia combater, teve, porém de emigrar para Inglaterra com os seus companheiros, partindo a 2 de junho de 1828 a bordo do vapor inglês Belfast. De Inglaterra passou à ilha da Madeira, onde desembarcou em agosto, para sustentar a causa da legitimidade; estava ali o general Valdez, depois conde de Bonfim. Demorou-se pouco tempo naquela ilha, por causa do desembarque das forças realistas, e no dia 23 do referido mês de agosto, juntamente com outros oficiais e alguns habitantes, foi para bordo da corveta inglesa Alegator, donde duas semanas depois passou para o navio Jane, indo desembarcar no porto de Saint-Yves. Fez parte da expedição comandada pelo general conde de Saldanha, que saiu de Plymouth para a ilha Terceira, onde não pôde entrar por causa dos tiros dados pelo capitão Walpole de bordo do Ranger, em 11 de janeiro de 1829, tendo de desembarcar em Brest. Até ao mês de setembro conservou-se em França; sendo então encarregado de reunir as praças de pret emigradas, passou a Ostende, organizou o corpo que depois foi Caçadores 12, e, atravessando o bloqueio, conseguiu desembarcar com o seu batalhão na ilha Terceira, no dia 20 de janeiro de 1830. Nomeado no ano seguinte comandante de Caçadores 5, fez parte da expedição que, ás ordens do general conde de Vila Flor, tomou as ilhas do arquipélago dos Açores, onde se portou com a costumada bravura, especialmente na ilha de S. Miguel, entrando na acção da Ladeira-a-Velha. Em 1832 fez parte do Exército Libertador, desembarcando nas praias do Mindelo em 8 de julho desse ano; era então major de Caçadores 5, e neste posto assistiu e cooperou para o reconhecimento de Valongo em 22 de Julho do mesmo ano de 1832. A 23 de Agosto seguinte foi promovido a tenente-coronel efectivo. Pelos exemplos que deu de bravura e pela táctica com que dirigiu o seu batalhão na memorável defesa das linhas do Porto, desde a investida à fortificação da Serra do Pilar, a 8 de setembro de 1832 data em que principiou a celebridade daquele baluarte de fidelidade e valor, até à interrupção do cerco da cidade, por causa da retirada das forças sitiantes a 6 de agosto de 1833, em que o conde de Bourmont, depois da batalha de 25 de julho do referido ano, teve de acudir a Lisboa a tomar o comando das tropas miguelistas, até que de facto foi levantado pela ultima acção nas linhas do Porto a 18 do referido mês de agosto, contra as forcas realistas comandadas pelo general MacDonald, que substituíra Bourmont e do seu imediato o conde de Almer, que cobrira a retirada; mas sobretudo onde mais se distinguiu o tenente-coronel Xavier foi na sortida de 17 de novembro de 1832, e tomada das alturas das Antas com o bravo batalhão de Caçadores 5, de que então era coronel graduado e comandante, ostentando e ocupando a posição daquele monte, situado a distância da linha de defesa no intermédio, à direita da bateria do monte da Quinta dos Congregados, e esquerda da bateria da cumeada Guelas de Pau, até nele se construir um forte reduto; e, depois na acção de 24 de março de 1833, atacando intrepidamente a posição do monte das Antas, obrigando o inimigo a abandoná-la, e repelindo com a maior valentia e coragem os ataques sucessivos de forças contrárias muito superiores, que dali, por duas vezes, o pretenderam debalde desalojar. Por este facto lhe foi concedido em 3 de outubro o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, de Valor, Lealdade e Mérito, e igual condecorarão foi conferida a diversos oficias e soldados de Caçadores 5, pelo denodo e valentia que mostraram ali estes dois sanguinolentos combates. Por decreto de 22 de novembro de 1832 foi promovido a coronel graduado. Distinguiu-se na sortida de 28 de setembro do mesmo ano, sendo por isso encarregado do comando da segunda brigada da primeira divisão, na ordem do dia de 2 de março de 1833. Em 4 de abril seguinte foi condecorado com o hábito da Conceição, por ter na acção de 24 de março atacado intrepidamente a posição das Antas; entrou no combate de Covelo em 10 de abril de 1833 e foi nomeado comendador da Ordem de Avis, por decreto de 15 de agosto do mesmo ano; em 25 de julho tinha sido promovido a coronel efectivo; tendo marchado com o Batalhão de Caçadores n.º 5 para a defesa da capital, foi elogiado pelo seu comportamento na acção das linhas em 5 de setembro do mesmo ano. D. Pedro IV, por decreto do referido mês, nomeou o conde das Antas comendador da Torre e Espada e de Avis, pelos serviços prestados em 18 de agosto e 9 de setembro. Depois da acção de Cacilhas veio o Batalhão de Caçadores n.º 5 para Lisboa, e ainda no dia 18 de outubro nas linhas, e no imediato em Loures, teve o coronel Xavier ensejo de mostrar o seu valor na frente do inimigo. Cooperou para a tomada de Leiria em 15 de janeiro de 1834, e para a acção de Pernes em 30 do referido mês. A 24 de julho deste ano teve a nomeação de brigadeiro.

Por decreto de 17 de setembro de 1835 foi agraciado como título de barão das Antas. Quando terminou a guerra foi mandado governar a praça de Elvas, onde se conservou apenas um mês, por ter de ir a Évora, reassumindo depois o governo, que tornou a deixar em setembro indo comandar a terceira brigada do corpo do exército, que se formou em Trás-os-Montes para observar a fronteira, às ordens do general Avilez. Em Agosto de 1835 foi nomeado governador de Setúbal, continuando, apesar disso, no Exército de Observações. Tendo-se assinado entre Portugal e Espanha o tratado de 24 de setembro desse ano, marchou em cumprimento dele para Espanha uma Divisão Auxiliar sob o comando do brigadeiro barão do Vale, cuja vanguarda foi confiada ao brigadeiro barão das Antas. A vanguarda entrou em Espanha a 18 de outubro. Em fevereiro de 1836 comandava uma coluna de três mil homens; entrou na tomada de Valmacela cm 12 de março, e nas acções de Castelo da Pedra e Venda Mal Abugro. Nesta ocasião foi agraciado pelo governo espanhol com a cruz de S. Fernando. Quando o governo português chamou a coluna do barão das Antas para mais próximo da fronteira, o comandante em chefe do Exército de Operações do Norte e da reserva rendeu aos nossos soldados, apesar de espanhol, os mais rasgados louvores e a merecida homenagem ao destemido brigadeiro português que os comandava, e que acabava de realçar a sua brilhante carreira militar com as acções de 28 e 29 de junho, pelas quais recebia depois como prémio a grã-cruz de Isabel, a Católica.

Proclamada em Portugal a constituição democrática de 1820, na noite de 9 de setembro de 1836, por alguns batalhões revoltosos da Guarda Nacional de Lisboa, o barão das Antas aderiu à mesma revolução em 23 do referido mês com a divisão de que havia tomado interinamente o comando, por adoecer o barão do Vale. Sendo agraciado com o título de visconde, por decreto de 13 de outubro seguinte, prestou muitos serviços à causa da rainha Isabel nas margens do Ebro e em Vitoria, na campanha de 1837, inutilizando muitas fortificações dos carlistas com repetidos ataques às linhas de Arlaban, em 14 de maio; pretendendo destruir a fábrica de balas por eles estabelecida em Barambio, a seis léguas de Vitoria, feito este que mereceu os maiores elogios do ministro da Guerra espanhol e do conde de Luchano; salvando por três vezes a praça de Pena Serrada, batendo a 18 de junho as forças do pretendente em Salvatierra. No dia 21 de julho o visconde das Antas, com a divisão portuguesa, bateu-se nos campos de Zambrana, retirando-se para Armiñon com enorme perda. Durante a sua permanência em Espanha exerceu o comando geral das Merindades de Castela, o comando em chefe de reserva e o das forças de Alcoa, o vice-reinado de Navarra e o comando geral das províncias Vascongadas.

Em Portugal rebentou então a revolução cartista, e o governo chamou o visconde das Antas, que logo em 3 de setembro entrou em Almeida com o resto das tropas, quando a segunda brigada da Divisão Auxiliar, comandada pelo coronel José de Sousa Pinto, acabava de proclamar a Carta durante a sua marcha de Valadolid por Salamanca, e quando ia juntar-se aos revoltosos de Bragança. O visconde das Antas, que em 5 de setembro havia sido promovido a marechal de campo graduado, dirigiu-se por Lamego, onde entrou rio dia 9, chegando ao Porto em 13, saindo logo em 15 em perseguição das forças cartistas do barão de Leiria, que encontrou em Ruivães, e que depois de renhido embate pôs em debandada. Seguiu-se a convenção de Chaves, assinada em 20 de setembro, pelos marechais duque da Terceira e marquês de Saldanha, que obrigados a assiná-la juntamente com o visconde das Antas, e cuja convenção pôs termo ao movimento revolucionário. Por decreto do 27 do referido mês, foi o visconde das Antas promovido a marechal de campo efectivo, e encarregado do comando das tropas de observação nas províncias do norte, tomando assento no congresso constituinte como deputado na sessão de 10 de novembro. Por decreto de 4 de abril de 1838 foi elevado a conde do mesmo título, e por decreto de 15 de maio seguinte teve a nomeação de comandante da 3.ª Divisão Militar, continuando no comando das forças de observação. Prestou juramento à constituição de 1838 na praça de Chaves, à frente da divisão em grande parada no dia 6 de maio. Proclamada a Carta Constitucional no Porto a 27 de janeiro de 1842, o conde das Antas, na sua qualidade de senador, assinou com outros senadores o protesto contra este movimento, e foi nomeado comandante duma divisão de operações da Estremadura, por decreto de 7 de fevereiro daquele ano, com o fim de hostilizar este movimento, o que não se realizou. porque a rainha D. Maria II aderiu ao mesmo movimento, nomeando em seguida novo Ministério. Então foi o conde das Antas encarregado de dissolver a força e as guardas nacionais, que armara o ministério denominado do Entrudo, comissão que desempenhou através alguns insultos da plebe angariada. Por carta régia de 3 de maio seguinte foi nomeado par do Reino tomando assento na respectiva Câmara, votando sempre na oposição do Ministério cartista. Por carta régia de 18 de julho do referido ano de 1842 teve a nomeação de governador dos Estados da Índia, sendo promovido a tenente-general por decreto datado do dia seguinte, 19 de julho. Pouco tempo se demorou no governo da Índia de que tomou posse a 19 de setembro, deixando-o a pretexto de falta de saúde a 25 de abril de 1843 entregando-o ao chefe da divisão, Joaquim Mourão Garcez Palha, partiu para Portugal e chegou a Lisboa a 23 de julho. Tomou assento na Câmara dos Pares e foi eleito para a Comissão de Guerra por dezanove votos, na sessão de 3 de janeiro de 1844. Por decreto de 11 de julho deste ano, teve a nomeação de vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar.

Em maio de 1846 foi nomeado pelo ministério do duque de Palmela, que se acabava de formar, comandante da 1.ª Divisão Militar; transferido em agosto para o Porto, e encarregado do comando das forças do norte. Quando em 6 de outubro de 1846 rebentou a revolução contra o governo do conde de Tomar, o conde das Antas assumiu o comando geral do exército levantado pela junta do Porto, e, pondo-se à frente da revolução, explicou os motivos deste proceder numa carta que dirigiu à rainha. Marchou então para o sul com uma divisão dos corpos que seguiram a causa da junta, e, entrando em Santarém, foi logo obrigado a retirar-se ao Porto, por ter ficado prisioneira em Torres Vedras uma grande parte das suas forças, que obedeciam ao conde de Bonfim. Aproveitando o entusiasmo da cidade e imediações pela causa da junta, de pronto organizou novos regimentos, e em fevereiro de 1847 marchou para o norte contra o conde do Casal, que nessa época estava senhor de Viana. Depois dalguns movimentos no Minho. regressou ao Porto, e em Maio tomou o comando da expedição que seguiu por mar para Lisboa. Logo à saída da barra do Porto, o conde das Antas foi intimado pelo comandante da esquadra inglesa sir T. Maitland, para suster o movimento e ancorar debaixo do fogo dos seus navios. O conde protestou, mas vendo-se cercado por forças superiores entregou-se prisioneiro, e seguiu para a capital. Entrando a barra do Tejo foi logo remetido para a Torre de São Julião, onde esteve até à convenção de Gramido, em que recuperou a liberdade, sendo-lhe então restituídos os postos e honras de que o governo de Lisboa o tinha exautorado. Já velho, mais pelos trabalhos que pela idade, desgostoso e cansado, o conde das Antas afastou-se quase completamente da política. Pelos fins do ano de 1851 foi nomeado inspector de Infantaria, e em maio seguinte faleceu na sua casa da rua de Santa Isabel, hoje rua Saraiva de Carvalho. O seu nome era conhecido e respeitado dum extremo ao outro do país. Em todas as lutas civis que se travaram pronunciava-se sempre pelo partido do povo chamado patuleia.

O conde das Antas casou a 22 de julho de 1845 com D. Maria Teotónia da Guerra e Sousa de Rávago Santistevan, filha única e herdeira de Gaudino José da Guerra e Sousa, e de sua mãe, D. Maria Bernarda Josefa Fagundo de Rávago Santistevan (V. 3.º conde dos Antas). Deste matrimónio houve dois filhos, Francisco e Fernando, já hoje falecidos, e que foram os 2.º e 3.º condes deste título. A morte do conde das Antas foi muito sentida pelo povo; no dia do funeral, depois dos ofícios religiosos que se celebraram com grande pompa na igreja de Santa Isabel, o caixão foi levado a braços até ao cemitério dos Prazeres, seguindo-se o coche e um concurso enorme de convidados. As tropas de toda a guarnição estavam formadas no largo do cemitério, onde prestaram as últimas homenagens ao valente militar. Por uma subscrição popular que se abriu, construiu-se um soberbo mausoléu, para onde em 1859 foram trasladados os seus restos mortais, com todas as honras devidas. Sobre o tumulo vê-se a sua estátua, que é um primoroso trabalho do falecido escultor Victor Bastos.

A viúva do insigne tenente-general passou a segundas núpcias, a 22 de setembro de 1855, com Luís de Quilinan, 2.º secretário da legação portuguesa em Londres, cavaleiro da Ordem militar de S. Bento de Avis, comendador da Ordem de S. Gregório Magno, de Roma, cavaleiro da Ordem de Danebrog, de Dinamarca, comendador das ordens de S. Maurício e S. Lázaro, de Itália, bacharel formado na Universidade de Coimbra, em direito e matemática, capitão de cavalaria. Com o segundo casamento, a viúva perdeu o direito de usar o título e de gozar as honras de condessa que lhe pertenciam pelo seu primeiro marido, em consequência de não se lhe haver concedido alvará para poder continuar a gozar das honras e título de condessa das Antas, sem embargo de haver passado a segundas núpcias, como é de estilo e antiga praxe da corte. Faleceu em Londres a 10 de maio de 1872.
O conde das Antas publicou o Discurso pronunciado na sessão da Câmara dos Dignos Pares em 15 de Fevereiro de 1848.

Notícia retirada daqui

domingo, 14 de maio de 2017

Luís António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro

n.      7 de setembro de 1754.
f.       7 de abril de 1830.



Era o 10º senhor de Barbacena. 

Nasceu em Lisboa a 7 de setembro de 1754, onde também faleceu a 7 de abril de 1830.

Mostrando logo nos primeiros anos inteligência e aplicação pouco vulgares, foi, segundo as insinuações do marquês de Pombal, mandado por seu pai estudar na Universidade de Coimbra, logo depois da reforma deste estabelecimento de instrução superior, decretada em 1772. Matriculando-se nas faculdades de filosofia e de leis, foi o primeiro que recebeu o grau de doutor em filosofia. Enquanto completava o curso de direito, regeu, durante o impedimento do professor Vandelli, a cadeira de história natural, em que se houve com toda a competência.

Concluídos os estudos, regressou a Lisboa, e cultivando com dedicação a historia natural, foi um doa instituidores da Academia Real das Ciências, na qual serviu de secretário desde a sua criação, até que partiu para o Brasil, por ter sido nomeado governador e capitão general das Minas Gerais. No tempo deste seu governo, apareceu a primeira tentativa de revolta, sendo esta a primeira manifestação da ideia da independência do Brasil. Esse movimento foi iniciado por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, com o auxílio de diversos indivíduos, em que se contavam os poetas Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa. A revolta foi denunciada por Joaquim Silvério dos Reis, e o visconde de Barbacena imediatamente mandou suspender as medidas tributárias que os revolucionários apontavam como iníquas e opressivas, e prender todos ou implicados nessa revolta, fazendo assim abortar a ideia de independência, que mais tarde se devia realizar.

Depois de dez anos de governo, voltou ao reino, a teve a nomeação de veador da princesa D. Carlota Joaquina, mais tarde rainha. Escolhido para escrivão da mesa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, prestou muitos serviços no exercício daquele lugar. Mais tarde foi nomeado presidente da Mesa da Consciência e Ordens. Quando a família real se retirou para o Rio da Janeiro em 1807, o visconde de Barbacena não a acompanhou, e permanecendo em Lisboa, Junot o escolheu para fazer parte da deputação que foi cumprimentar o imperador Napoleão; partiu para Baiona, seguindo depois para França. Sendo estabelecida a paz, voltou a Portugal, onde se dedicou quase exclusivamente ao estudo.

Em 1816 foi-lho concedido o título de conde de Barbacena, e em 1823 nomeado conselheiro de Estado. Era casado com D. Ana Rosa José de Melo, primeira filha dos 1.os marqueses de Sabugosa, António Maria de Melo da Silva César e Meneses, e D. Joaquina José Benta Maria de Meneses. Faleceu depois duma longa enfermidade.

Notícia retirada daqui


sexta-feira, 12 de maio de 2017

João de Canto e Castro

   
O contra-almirante João de Canto e Castro Silva Antunes foi eleito a 16 de Dezembro de 1918, em substituição de Sidónio Pais e logo após o assassinato deste, num momento em que Bernardino Machado, no exílio, era ainda, à luz da Cons-tituição, o legítimo Presidente. 
             Os monárquicos, que tinham ganho terreno durante o sidonismo, exigiram que os ministros republicanos fossem demiti-dos e, em Santarém, a 12 de Janeiro de 1919 e com o apoio do Partido Socialista, os republicanos revoltam-se. Houve até a situação insólita de se proclamar a monarquia no Porto e em Lisboa, mas o Governo acaba por dominar os insurrectos. Henrique Paiva Couceiro (1861-1944), que fora governador de Angola no tempo de João Franco, foi, durante um escasso mês, o garante dessa "Monarquia do Norte" - desi-gnada depreciativamente por "Traulitânia". 
             João de Canto e Castro Silva Antunes era monárquico, mas no espaço de tempo em que exerceu as funções de Presidente da República - 16 de Dezembro de 1918 a 5 de Outubro de 1919 - não o fez nem como militar nem como monárquico. É curioso como este homem que, à partida tinha dois "defeitos" impossíveis de conciliar (monárquico e militar) com o exercício da Presidência da República, o fez de um modo que os historiadores mais tarde consideram como justo e isento. 
             João de Canto e Castro nasceu em 19 de Maio de 1862. Foi deputado em 1908 e ministro da Marinha em 1918. O seu mandato não foi isento de dificuldades com as tentativas dos monárquicos de voltar ao poder. Para chefiar o novo Governo, Canto e Castro escolheu o general Tamagnini Barbosa, que ocupará esse cargo até Janeiro de 1919. 
             Durante a "Monarquia do Norte" os rebeldes monárquicos refugiaram-se em Monsanto, mas uma manifestação popular encabeçada por republicanos vai desalojá-los. A vitória ficou do lado dos republicanos. Os Governos mudavam em escassos meses e o Presidente Canto e Castro chamou então para chefe do Governo um dos republicanos mais prestigiados de sempre: José Relvas. 
             (Fora ele que, em 5 de Outubro de 1910, às 9 horas da manhã, proclamou a República da janela dos Paços do Concelho.) Este Governo terá a particularidade de integrar Augusto Dias da Silva, o primeiro socialista num governo da I República. 
             Nas eleições para deputados, em Maio de 1919,0 Partido Democrático obtém uma inequívoca vitória, com 86 deputados em 163. Dois meses depois, a 19 de Julho de 1919, o presidente eleito do Brasil, Epitácio Pessoa, visitou Portugal. Na vigência de Canto e Castro, quem vai saudar o presidente do País-irmão é António José de Almeida, que ao termina o discurso recebeu uma estrondosa salva de palmas. António José de Almeida estivera escondido durante a "Monarquia do Norte" e reaparecendo apenas por ocasião da visita do presidente do Brasil. 
             O Presidente João de Canto e Castro acaba o seu mandato quando, a 5 de Outubro de 1919, António José de Almeida, homem da República desde a primeira hora, é eleito Presidente. O outro candidato ao cargo era Manuel Teixeira Gomes, que será Presidente mais tarde. Com a revisão da Constituição o Presidente passou a poder dissolver as Câmaras.

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Bernardino Machado


Bernardino Luís Machado Guimarães era em tudo (menos no ideário republicano) o oposto de Teófilo Braga: bonito, aprumado, rico, pai de família, vaidoso, cavalheiro, ambicioso. Tratava os seus piores inimigos por "meu queridíssimo amigo". 
             Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de 1851, filho de pai português António Luís Machado Guimarães e de mãe brasi-leira, Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães. A família regressou a Portugal em 1860 e vai viver para uma povoação do concelho de Vila Nova de Famalicão chamada Joanes. O pai receberá o título de 1º Barão de Joanes. Bernardino Machado tinha uma figura aprumada, sempre com o farto bigode e barba bem aparada, que no fim da vida, já muito velhinho, deixava crescer como uma "trepadeira selvagem." 
             Ao atingir a maioridade, em 1872, Bernardino Machado optou pela nacionali-dade portuguesa. Casou, em 1882, com Elzira Dantas, filha do Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, e teve dela 18 filhos. A mulher de Bernardino Machado viria a ser uma grande colaboradora em tudo e também na sua vida de estadista. Passou com ele as agruras de dois exílios e, durante a 1ª Grande Guerra, foi presidente da Cruzada da Mulheres Portuguesas, que apoiou activamente o Corpo Expedicionário Português em França. Duas filhas suas também participaram. Ela viria a escrever para os netos, em 1934, um livro de Contos. 
             Bernardino Machado foi sempre um lutador, sem deixar de ser galante, Caricatura de Bernardino Machadotirava o chapéu a toda a gente que o cumprimentava. Há inúme-ras caricaturas sobre este curioso hábito do 3º Presidente da 1ª Repúbli-ca, portuguesa como da sua numerosa prole, que inspirou inúmeros desenhos a Rafael Bordalo Pinheiro e a Francisco Valença, entre outros. 
             Em 1866 Bernardino Machado matriculou-se na faculdade de Matemá-tica, em Coimbra, e no ano seguinte em Filosofia, tendo-se doutorado com apenas vinte e oito anos nessas duas especialidades. Foi, pois, um aluno brilhante e depois professor. 
             Deputado do Partido Regene-rador entre 1882 e 1886 e Par do Reino em 1890, Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, desde Fevereiro a Dezembro de 1893, teve uma acção muito positiva na reformulação do ensino profissional e inovou os sectores da agricultura, comércio e indústria (escreveu mesmo "A Agricultura", em 1899). Desiludido com a Monarquia aderiu ao Partido Republicano Português, em 1903. É a partir desta fase que no seu Partido luta para que este "seja um partido republicano profundamente socialista". No ano seguinte chega ao Directório. 
             Implantada a República, na qual não participa directamente, será no Governo Provisório Ministro dos Negócios Estrangeiros, por sugestão de Afonso Costa, onde teve uma acção importante no reconhecimento da nova república por parte dos países estrangeiros. Renovou a aliança com a Inglaterra e organizou o primeiro Congresso de Turismo. Amigo do Presidente do Brasil levou a cabo acordos e elevou as Legações no Rio de Janeiro e Lisboa à categoria de Embaixadas, tendo sido o primeiro embaixador de Portugal no Brasil, em 1de Novembro de 1913. 
             Bernardino Machado, que aderira à Maçonaria, era já Grão-mestre em Julho de 1895. Primeiro Ministro em 1913, num período de lutas partidárias, vem a ser eleito Presidente da República em 6 de Agosto de 1915. 
             Durante a 1ª Grande Guerra defende a participação de Portugal no conflito. A Alemanha declarou guerra a Portugal em 9 de Março de 1916. Bernardino Machado tentou um acordo de tréguas (uma "União Sagrada") entre os três partidos perante o tão grave período da Guerra, mas sem total sucesso. Foi o general Norton de Matos quem organizou o Corpo Expedicionário cujos contingentes embarcaram para França em Janeiro de 1917. 
             O período em que Bernardino Machado foi Presidente da República foi de grande agitação social. Desde o início da Guerra, em 1914, que começaram a escassear produtos de primeira necessidade. Quase não havia farinha, nem carvão. Lisboa ficou sem eléctricos, sem luz e sem polícia nas ruas depois da 11 horas da noite. 
             O chefe do Governo era Afonso Costa. E é contra este político que se vão avolumando críticas e ódios. Na sua ausência (de Bernardino Machado), em Londres, um movimento revolucionário liderado por Sidónio Pais, acampou literalmente na Rotunda (hoje Rotunda do Marquês de Pombal) em 5 de Dezembro de 1917 para derrubar o Governo. A população esfomeada aproveitou para assaltar as lojas. Sidónio toma então conta do poder. Demite o Presidente e, quando Afonso Costa regressa do estrangeiro, é preso no Porto. Em Lisboa, a casa de Afonso Costa é saqueada e os móveis lançados à rua. Afonso Costa parte, com familiares, para um exílio de onde nunca mais voltou. 
             Sidónio Pais faz-se eleger Presidente da República, por sufrágio universal, em Abril de 1918 e à revelia da Constituição de 1911. Bernardino Machado recusou resignar à Presidência, mas foi detido no Palácio de Belém durante uns dias. Depois é-lhe imposto o exílio. Parte para França no Natal de 1917, acompanhado de parte da família, onde irá perder uma filha e onde não desiste de lutar pelo retorno à legitimidade da vida política Portuguesa. Regressará em 1919.
As eleições de Novembro de 1925 dão a vitória aos democratas. O Congresso elege , agora sim, Bernardino Machado. 
             Sobre a sua vida já muito se disse na primeira parte deste artigo. Joel Serrão retratou-o assim no "Dicionário da História de Portugal" (p. 867): "Político dos mais notáveis da 1ª República Portugue-sa, Bernardino Machado foi um cidadão exemplar no rigoroso cumprimento dos seus deveres e na defesa intransigente dos seus direitos". 
             Depois de um primeiro mandato na presidência, de 6 de Agosto de 1915 a 5 de Dezembro de 1917, Bernardino Machado experimentou um longo e forçado exílio, durante o qual recusou transmitir os poderes presidenciais aos vencedores da revolução sidonista de 5 de Dezembro de 1917. 
             Este seu segundo mandato foi curto. Apenas de 11 de Dezembro de 1925 ao eclodir do movimento do 28 de Maio de 1926. A situação financeira do País era bastante melhor do que durante o seu primeiro mandato, mas o clima político não era nada calmo. Houve neste período um problema com os tabacos, passando para o controlo do Estado. A 28 de Maio, em Braga, o general Gomes da Costa revolta-se "contra as quadrilhas partidárias" e em Lisboa foi organizada uma junta revolucionária chefiada por Mendes Cabeçadas, a quem Bernardino Machado acaba por entregar o poder, como explica em 1926: 
             "Quando transmiti os poderes presidenciais, fi-lo a um chefe de governo, de coração republicano, que eu sabia bem que se propunha restaurar o mais breve possível a ordem constitucional. Aos seus sucessores eu não os transmitiria". Bernardino Machado teve plena consciência de que a República estava em perigo. Mas era tarde de mais. 
             Jaime Cortesão elogia-o deste modo: "Ele não foi um manipanço vago e solene, de capacete amarrado na cabeça. A sua legendária chapelada, que se diria ir do palácio de Belém até ao fundo dos campos de Portugal, ficou como exemplo democrático do respeito do homem pelo homem".

Biografia retirada daqui
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